RUI BENTO -*Campo Pequeno – Fim de Ciclo*



*Campo Pequeno – Fim de Ciclo*

Há projectos que, pelo desafio que constituem ou pela intensidade da paixão que em nós despertam, nos marcam para sempre. Desafio e paixão. Foi esta a mistura de sensações que experimentei quando, em Fevereiro de 2006, a convite dos Drs. Henrique Gonçalves  Borges e Goes Ferreira, tomei posse do cargo que me conferia a gestão dos destinos da tauromaquia no Campo Pequeno. As obras de restauro e requalificação estavam quase concluídas e a reinauguração marcada para 16 de Maio. 
Volvidos 14 anos, encerrou-se, recentemente, o ciclo das minhas funções como Director de Actividades Tauromáquicas da primeira praça do país, a "Catedral Mundial do Toureio a Cavalo".
O Campo Pequeno está ligado às duas mais importantes fases da minha vida profissional. Ali, como toureiro, iniciei em 1982, a carreira que me levou à Alternativa de Matador de Toiros (Badajoz, 1988); ali desenvolvi a actividade de Gestor Taurino, em cujos resultados tenho o maior orgulho.
Durante estas 14 temporadas vivemos apaixonadamente um projecto que recuperou a grandeza do Campo Pequeno em termos nacionais e o reposicionou, em termos internacionais, dando-lhe uma visibilidade jamais alcançada.
As maiores figuras mundiais do toureio voltaram a incluir Lisboa na rota das suas temporadas. Voltaram os consagrados, lançaram-se novos valores e sempre se repetiram os triunfadores. Nem sempre as coisas correram dentro daquilo que idealizámos, é certo, mas também é verdade que só não erra quem não arrisca. Nós, no Campo Pequeno assumimos a vitória com a mesma humildade, a mesma grandeza com que demos a cara nos momentos difíceis. E foi nesses momentos difíceis que veio ao de cima a nossa capacidade de superação individual e colectiva demonstrada por todos os que vivemos este projecto ímpar. Envolvo na minha gratidão todos os que, no escritório e no campo, integraram e colaboraram com a Direcção de Tauromaquia, as sucessivas administrações com quem trabalhámos e, em especial, dois dos nossos colegas que partiram para sempre e que sempre recordaremos pelo seu exemplo de camaradagem e profissionalismo.
Num balanço curto deste ciclo há pouco encerrado, cabe uma palavra de agradecimento a todos os que, de uma forma directa ou indirecta, tornaram possível todo este percurso, ao longo do qual tanto nos estimularam.
Refiro-me aos aficionados, aos artistas tauromáquicos, aos ganaderos, ao pessoal de apoio, à imprensa, rádio e TV generalistas, aos meios de informação taurina e ao público em geral.

Vai por todos vós!

Sem o vosso apoio não teríamos conseguido levar a nau a bom porto.

Ciclo encerrado! Os homens passam e as instituições continuam. Desejo ao Campo Pequeno as maiores felicidades nesta nova fase da sua mais que centenária existência.

*Rui Bento*