"Ao ler o texto da Liga Portuguesa contra o Cancro contra a realização de “Touradas” fiquei absolutamente atónita!
Desde quando é que a Liga recebe donativos de Corridas de Toiros ou de eventos tauromáquicos?
Todos sabemos que é “moda” estar contra a Tauromaquia … mas a Liga Portuguesa contra o Cancro que tanto tem lucrado com este espectáculo?
Onde está o vosso decoro?
Sou aficionada! Penso que o comecei a ser desde que nasci! Nasci em Azambuja na Rua Principal onde pela Feira de Maio, eram e são largados os toiros. Vi muitas vezes o meu falecido pai, também aficionado e doente oncológico, entrar pela janela a fugir do toiro e o toiro a entrar pela porta. Assustei-me? Tive medo? Claro que sim!
Mais tarde nos anos 60/70 fui viver para Inglaterra. E quando chegava Maio? Era mesmo muito mau! Sentava-me no sofá, olhava para o relógio e chorava copiosamente porque os toiros estavam na rua e eu lá bem longe!
Regressei em 1971 e a partir daí a minha afición “refinou”! Largadas, corridas, tudo o que era relacionado com a tauromaquia nós lá estávamos, eu, os meus falecidos pais e mais tarde o meu filho!
E então veio 2011!
Em Fevereiro de 2011 foi-me detectado um carcinoma lobular evasivo na mama esquerda – G2.
O que senti ao ler o relatório médico é absolutamente indiscritível! Não o desejo a ninguém!
Fui operada em Março e lá me submeti às sessões de radioterapia que bastante me abalaram! Passados que são, cinco anos, apareceu-me um quisto na mesma mama com líquido. Lá terei de fazer nova biopsia, provavelmente com aspiração! Espero que fique por aqui! Estamos em Maio, o meu mês de eleição como Azambujense, os afazeres são muitos mas tive de arranjar tempo para escrever estas linhas.
Desde 2011 e em consequência dos efeitos secundários do Letrozol e Tamoxifeno muitas têm sido as “maleitas” que têm surgido!
Sempre as enfrentei, e continuo a fazê-lo, com Fé e Esperança que tudo irá terminar um dia!
E como consegui ultrapassar este cinco anos da minha vida sem tomar antidepressivos ou algo do género?
Tenho a sorte de ser muito activa e felizmente pertencer à Direcção de duas colectividades que muito têm a ver com as nossas tradições! Uma de Cavalos a outra de Toiros!
E é assim que consigo ultrapassar os momentos “menos bons” ou até deixar de pensar que sou doente oncológica!
Vou aos Toiros sempre que me é possível! Organizo, obviamente com os restantes elementos das Direcções a que pertenço, colóquios, palestras, provas, concursos, etc, etc.
Além da família, são os amigos eu tenho feito ao longo deste percurso de aficionada uma parte fundamental e indissociável desta minha forma de encarar a vida!
São eles o pilar onde assenta a minha VONTADE DE VIVER e de FAZER ACONTECER!
Por tudo o que a tauromaquia tem feito por mim afirmo:
SOU AFICIONADA! JAMAIS O DEIXAREI DE SER E JAMAIS CONTRIBUIREI PARA A LIGA PORTUGUESA CONTRA O CANCRO! "
Isabel Nolasco
"Respeito os animais, racionais e irracionais, enquanto organismos vivos!
Toda a minha vida vivi no campo rodeada por animais
(cavalos, cães, gatos, burros, ovelhas, etc).
Sou Engª de Produção Animal de formação.
Dou aulas numa Escola Agrícola, onde tive e tenho como
alunos, pessoas que hoje em dia são cavaleiros, forcados, ganadeiros, etc., de
uma ou outra forma ligados à Festa Brava!
Sempre fui aficionada, desde que me conheço, a
inauguração da temporada era marcada pela Corrida de Toiros no Domingo de
Páscoa, no Campo Pequeno, onde acompanhava os meus Pais e demais família.
Sempre que possível ia à Garraiada Académica da Escola
Superior de Medicina Veterinária, e, nos meus tempos de Faculdade não perdia
esses eventos também desenvolvidos pela Escola Superior Agrária de Santarém.
Sou esposa de Francisco Penedo, que foi apoderado da cavaleira Ana Batista, do
cavaleiro António Maria Brito Paes, e, hoje em dia dos cavaleiros Luís Rouxinol
e Luís Rouxinol Jr..
Tenho como amigas verdadeiras, várias pessoas do mundo
taurino nacional.
Em 2011 foi-me diagnosticado cancro da mama, e no
espaço de 14 dias, fui operada duas vezes!
Durante 2012, fiz tratamentos de quimioterapia e
radioterapia.
Neste período menos bom da minha vida, todos os
profissionais de saúde me disseram que a força interior era meio caminho andado
para a cura; deveria sair de casa, distrair-me, estar enfim com quem me
acarinhava e apoiava.
Sempre senti carinho destas gentes da Festa!
Fui brindada com algumas Lides e Pegas, por pessoas
maravilhosas, ricas em princípios e respeito pelas tradições Portucalenses!
Recentemente a minha mãe foi também intervencionada a
nível da mesma enfermidade, ela também uma grande aficionada!
Quando tive conhecimento que a Liga Portuguesa Contra o Cancro é
contra as Corridas de Toiros, fiquei
abismada!
Não só pela forma como sempre a Festa Brava contribui
para várias instituições humanitárias, incluindo a Liga Portuguesa Contra o Cancro,
mas também porque foi aí que encontrei, numa altura mais debilitada,
uma ambiência calorosa.
Creio que não é possível por lei, que uma "Liga", seja ela do que
for, se possa pronunciar como se falasse por todas as pessoas que abrange, pois
num regime democrático, teria que ser a moção levada a votação, e nem que
tivesse em "milhões", 1 único voto contra, teria que ficar bem claro
que tinha sido aprovada por maioria e não por unanimidade!
Duvido que só eu seja contra esta afirmação!
Sou e
continuarei a ser aficionada! "
Elsa Melo Penedo
