ENTREVISTA A JOEL ZAMBUJEIRA - CABO DO GFA CASCAIS



PORTA DOS SUSTOS- Quando foi a sua estreia em público (idade e local)?
JOEL ZAMBUJEIRA: A minha estreia em público foi aos 12 anos, numa praça desmontável em Lagos, no dia 7 de Agosto de 1999. Acabaram por ser duas estreias, uma vez que me fardei e peguei logo nesse dia.

PDS: Anteriormente tinha contacto com reses bravas? (em treinos, festas, etc)
J.Z.: Tinha contacto com as reses bravas desde pequeno, uma vez que já nasci neste meio. Aos 10 anos peguei o meu primeiro bezerro numa brincadeira.

PDS: O fato do seu pai ser um prestigiado forcado, teve influência na decisão de ser forcado?
J.Z.: Acabou por influenciar porque acompanhava o meu pai desde bebé. O meu pai nunca me disse para eu ir para o grupo, para ser forcado, mas o facto de eu estar tão presente, quer nas corridas como nos treinos, fez com que tivesse vontade de entrar para o grupo e viver mais de perto o espírito de grupo, amizade e união.

PDS: Ele era muito exigente?
J.Z.: Sim. Era muito exigente, tanto dentro como fora de praça. Era muito rigoroso com a preparação física.

PDS: Alguma vez se sentiu protegido por esse fato?
J.Z.: Acho que nunca fui protegido, até porque fui um dos que peguei mais touros por época.

PDS: Onde pegou mais toiros? (países, ilhas)
J.Z.: Peguei toiros em vários pontos do país, na Ilha Terceira e duas vezes em França.





PDS: Quais são as suas praças preferidas?
J.Z.: Tenho várias praças de que gosto muito, naturalmente a praça de Beja, que é a minha terra, a castiça praça da Nazaré, o Campo Pequeno, a praça da Póvoa do Varzim, Figueira da Foz e Albufeira.

PDS: Quantos toiros pegados  até ao momento?
J.Z.: Tenho já pegados 105 toiros.

PDS: Quais foram as pegas mais importantes?
J.Z.: Tive várias pegas que considero importantes, recordo uma na Póvoa do Varzim numa corrida TV, uma outra na Nazaré, na Figueira da Foz, em Albufeira e em Beja.

PDS: Com certeza que já sofreu várias lesões ao longo destes anos a pegar, quais as mais graves?
J.Z.: É complicado falar sobre o assunto porque ainda foram algumas. A primeira foi aos 16 anos, uma bolha de sangue no fígado, em que fiquei internado durante 10 dias nos cuidados intensivos do Hospital dos Capuchos. Em 2010, numa corrida em Albufeira, parti o maxilar superior e 10 dentes. No ano seguinte criei um fio de sangue junto ao pulmão, também numa pega na praça de toiros de Albufeira. A última lesão grave foi o ano passado, na corrida da Ovibeja, fraturei uma vértebra e estive parado quase toda a temporada.

PDS: Em 2011 os seus colegas nomearam-no para os comandares. Acha que desempenhou bem a missão?
J.Z.: Foi no final do ano de 2011 que fui nomeado mas só passei para cabo em 2012. E sim, acho que desempenhei bem esse papel. O Grupo de Forcados Amadores de Cascais é dos grupos com mais corridas há vários anos e com corridas importantes. Penso que temos conseguido honrar a nossa jaqueta e manter a qualidade. As estatísticas falam por si, este ano já pegamos 22 corridas, uma delas em França, e ainda temos 3 agendadas.

PDS: Ser cabo é mais difícil do que ser somente forcado?
J.Z.: É claramente mais difícil, ao ser Cabo de um grupo a responsabilidade sobe a todos os níveis. Como forcado só temos de nos preocupar em estar bem física e psicologicamente no dia da corrida, em pegar e ajudar o nosso grupo. Como Cabo temos muito mais preocupações, existem todos os preparativos antes das corridas, preocupamo-nos connosco mas também com os restantes elementos do grupo. Temos uma responsabilidade muito grande antes, durante e depois das corridas.
PDS: Durante a sua chefia, houve forcados que se lesionaram gravemente. Como se sentiu?
J.Z.: É normal que não me sinta bem, não são situações fáceis de lidar. Sempre que tive um forcado lesionado estive ao seu lado porque eu também já tive várias lesões e sei que são momentos difíceis de ultrapassar.

PDS: Ainda durante a sua chefia, houve alguma corrida que o marcasse particularmente?
J.Z.: Foram várias as corridas que me marcaram, mas posso dizer que a corrida na Ilha Terceira me marcou muito, a corrida de agosto de 2013 na praça de Beja, a corrida que tivemos este ano em França, a última corrida na Nazaré por ter pegado o meu último toiro numa praça que marcou tanto.

PDS: Vai pôr fim a uma gloriosa carreira de forcado. Porquê?
J.Z.: Porque já cá ando há 16 anos. Tudo tem um princípio, um meio e um fim e eu sinto que já chegou ao fim. Já dei muito à festa brava e chegou o momento de me retirar e passar o testemunho aos mais novos.
PDS: A sua despedida está quase aí…
É verdade. Espero ter presentes os amigos que me acompanharam ao longo destes 16 anos, vai ser uma tarde muito importante para mim, para o novo cabo, Paulo Loução, e para o Grupo. A minha despedida vai ser no dia 18 de Outubro, em Beja, num festival de beneficência para ajudar o Centro de Paralisia Cerebral de Beja e a Sociedade Capricho Bejense. Vamos juntar os forcados antigos e atuais e temos um ótimo cartel pelo que esperamos que seja casa cheia para apoiar o grupo e, mais importante ainda, apoiar duas instituições que precisam.