- O francês Juan
Leal, que deu três voltas à arena, saiu em ombros da
praça.
- Magistral lição lidadora de
Diego Urdiales, empenho de Fortes e bom gosto de Dias gomes.
- Os três toiros de Jandilla manifestaram a necessidade e
lógica da sorte de varas.
O vento e as complicações de vários dos
oito toiros que saíram à arena obrigaram a um meritório esforço dos
quatro toureiros que hoje fizeram o paseíllo no último festejo das Sanjoaninas.
E foi assim que nesta intensa corrida a pé, especialmente com os fortes novilhos-toiros de Jandilla, se colocou o manifesto da necessidade e
o sentido de que a lide se realize com sorte de varas incluída para que o toureio possa aflorar com maior fluidez e dimensão.
O triunfador desta interessante tarde
foi o francês Juan Leal, que pelo segundo ano consecutivo conseguiu dar três voltas à arena e sair aosombros do coso de Angra do Heroísmo depois de
provocar as maioresovações com o seu toureio de proximidades e alardes de valor.
Conhecedor da psicología do público terceirense, o diestro gaulês já
se tinha arrimado com o seu primeiro de Botelho, um novilho sem classe
que não permitiu brilhar em excesso. Mas foi com o bravo e repetidor
sétimo de Jandilla quando mais e melhor se conectou com os tendidos.
Depois
de receber “Impagado” com uma apurada larga à porta gaiola e uma série
de lances de joelhos, Leal foi colhido de forma aparatosa
ao rematar, também de joelhos em terra, um vistoso quite por zapopinas.
Ileso do acidente, e depois de um emotivo e acidentado tercio de
bandarilhas dos sulbalternos locais, o francês fez ao bravo e codicioso
toiro de Jandilla uma faena longa, por vezes prejudicado
pelo vento, que teve o seu maior eco no tramo final de circulares e
alardes em curta distância.
A
faena de maior mérito da corrida foi a que Diego Urdiales fez ao
quinto, um Jandilla violento e com poder que teria necessitado de
pelo menos um forte puyazo. Assim que o toureiro riojano, apoiado pela
brega do seu bandarilheiro El Víctor, teve que tirar do oficio e determinação para
reduzir as forças do animal numa obra trabalhada com duas partes muito bem diferenciadas.
A
primeira resultou toda uma lição lidadora, pois Urdiales empregou-se
com doblones efectivos e de uma toureria eterna, às vezes toureando
sobre as pernas, para ir ganhando a acção e a vontade ao animal,
submetendo as forças que as varas deveriam ter reduzido.
Uma
vez vencido o inimigo, que de imediato se colocou na defensiva, o
toureiro de Arnedo executou varias séries de derechazos de saborosa
profundidade até que o de Jandilla rachou-se por completo. Com o toiro
de Botelho que abriu praça, o espanhol já tinha deixado muletazos com as
duas mãos de muito temple e suavidade, medindo sempre a escassa raça do
animal.
O
malaguenho Jiménez Fortes sorteou o lote mais desluzido da tarde. O seu
primeiro parou-se e veio a menos depois de o voltear e provocar
um leve puntazo, uma vez que o toureiro ficou a descoberto pelo vento. E
o de Jandilla que saiu em sexto lugar, sem outro necessário puyazo,
manteve uma mobilidade desclassada e pegajosa. Com ambos Fortes colocou
identifca firmeza e empenho, mas sem obter
suficiente recompensa ao esforço.
Em substituição, Manuel Dias Gomes, apresentava-se na corrida como matador de alternativa em Portugal. Corresponderam-lhe dois
toiros com nobreza e qualidade que lhe permitiram mostrar a sua intenção de fazer toureio de bom gosto.
A
mais redondeada das duas faenas do flamante matador portugués foi a que
fez ao quarto novilho de Botelho, que galopou com entrega
e sôm, tanto ao seu capote, com o que Gomes destacou toda a tarde em
quites, como a sua muleta, com a que toureou com relaxe e boas maneiras,
sem maiores exigencias. Com idêntica qualidade, e menor dimensão,
esteve também com o manejável exemplar que fechou
esta longa e intensa tarde de toureio a pé na capital taurina do
Atlântico.



















