ARTIGO DE OPINIÃO - AS FESTAS E OS "TONANTES" - POR ZÉ LUIS FIGUEIREDO

 
Quando aceitei o convite da Maria João para colaborar com o Porta dos Sustos fi-lo pensando que me iria divertir, pois sendo presença habitual nas praças de toiros tinha agora a mais valia de opinar sobre algo pelo qual me apaixonei ainda mal caminhava, paixão essa pela qual me sinto recompensado pois os toiros para além dos inevitáveis "mimos" proporcionaram-me muitos (muitos mesmo) momentos de enorme felicidade. Hoje tenho dúvidas se estou a desempenhar bem a minha tarefa, sempre defendi que os "podres" da nossa festa não deveriam ser divulgados pois tal seria uma "arma" para os nossos detratores, para além de estar consciente de que todos os que de alguma forma estamos inseridos na festa, temos os nossos telhados de vidro.
No entanto AQUILO vamos chamar-lhe assim, que aconteceu em Salvaterra é algo inadmissível, é um verdadeiro atentado à dignidade de todos os que de alguma forma interferem no espetáculo, porém esses não são enganados "metem-se a jeito" e aqui para nós que ninguém nos ouve: cada um tem o que merece. Mas e o público? aqueles que com a sua ilusão e dinheiro garantem a sobrevivência da festa brava, aqueles que perante estes "roubos autorizados" partem sem vontade de regressar, e o provedor da Misericórdia (proprietário da praça) não tem nada a dizer? ou melhor a fazer, porque errar é humano, mas persistir no erro é outra coisa, e a APET? vai permitir que seus associados desrespeitem a classe que representam.
Em toda esta (..........) não há inocentes (só o público) todos o esperávamos, era apenas uma questão de tempo. Ou estou enganado?

José Luis Figueiredo