Quando aceitei o convite da Maria João para colaborar com o Porta
dos Sustos fi-lo pensando que me iria divertir, pois sendo presença
habitual nas praças de toiros tinha agora a mais valia de opinar sobre
algo pelo qual me apaixonei ainda mal caminhava, paixão essa pela qual
me sinto recompensado pois os toiros para além dos inevitáveis "mimos"
proporcionaram-me muitos (muitos mesmo) momentos de enorme felicidade.
Hoje tenho dúvidas se estou a desempenhar bem a minha tarefa, sempre
defendi que os "podres" da nossa festa não deveriam ser divulgados pois
tal seria uma "arma" para os nossos detratores, para além de estar
consciente de que todos os que de alguma forma estamos inseridos na
festa, temos os nossos telhados de vidro.
No entanto AQUILO
vamos chamar-lhe assim, que aconteceu em Salvaterra é algo inadmissível,
é um verdadeiro atentado à dignidade de todos os que de alguma forma
interferem no espetáculo, porém esses não são enganados "metem-se a
jeito" e aqui para nós que ninguém nos ouve: cada um tem o que merece.
Mas e o público? aqueles que com a sua ilusão e dinheiro garantem a
sobrevivência da festa brava, aqueles que perante estes "roubos
autorizados" partem sem vontade de regressar, e o provedor da
Misericórdia (proprietário da praça) não tem nada a dizer? ou melhor a
fazer, porque errar é humano, mas persistir no erro é outra coisa, e a
APET? vai permitir que seus associados desrespeitem a classe que
representam.
Em toda esta (..........) não há inocentes (só o
público) todos o esperávamos, era apenas uma questão de tempo. Ou estou
enganado?
José Luis Figueiredo
