JOÃO MACHACAZ - 1o CAPITULO

Antes de abordar o tema que trago ao Porta dos Sustos, quero usar este espaço para responder a um grande amigo que tem sobre este assunto uma opinião diferente que respeito mas com a qual não concordo.
Caro amigo, és tu de opinião que por ser antigo forcado não devia opinar sobre a Associação de Forcados, pois bem, lamento discordar, mas entendo que sendo eu um aficionado que desde sempre marcou presença nas praças de toiros, tendo tal como todos os outros que pagam o seu bilhete direito a opinar sobre todas as associações que imperam na nossa festa brava, sejam elas de forcados, toureiros, ganaderos, empresários, etc... pois as ditas só existem porque os aficionados nos quais me incluo justificam a sua existência.
Por outro lado, nesta minha recente faceta de cronista no Porta dos Sustos seria indigno de a exercer se por receio de eventuais represálias pactuasse com atitudes dignas de anti taurinos, ou será que impedir João Machacáz um dos melhores, senão mesmo o melhor forcado da atualidade de continuar o seu glorioso percurso como pegador e cabo de forcados, não é um atentado à nossa amada festa?
No entanto estou consciente que tal como dizia um saudoso jornalista "diz-se tanta coisa que alguma será verdade". E porque sei que este é um assunto melindroso e como tal não deve ser analisado numa conjuntura do "diz-se", tive a preocupação de me documentar para tentar perceber todo este "ódio" ao João Machacáz e seu grupo, os Amadores do Ribatejo.
E foi na qualidade de Sherlock Homes que ouvi vezes sem conta a gravação integral, uma hora e cinquenta e dois minutos do "encontro" convocado pelo presidente Potier para informar Machacáz que numa reunião realizada na véspera, o grupo do Ribatejo havia sido suspenso até à próxima corrida agendada e posteriormente expulso da Associação de Forcados.
As razões eram segundo Potier, informações fidedignas acima de qualquer suspeita sobre o grupo do Ribatejo em que o mesmo havia lesado dois outros grupos nas corridas do Alandroal e Redondo.
Fiquei a saber que a dita expulsão foi decidida por apenas onze cabos e mesmo assim sem unanimidade. Este tipo de comportamento dá, ou não? razão aqueles e são muitos cabos de grupos que afirmam que a Associação é um "couto" de Potier e seus aliados.
Perante a oposição de Machacáz que afirmava  que só em Assembleia geral se podia tomar tais decisões, Potier informou-o que a decisão era irrevogável e como tal não necessitava de consultar os outros grupos. Mais surpreendente foi o facto de nenhum dos cabos e elementos da direção  que na véspera em encontro secreto de cariz maçónico, tomaram a drástica decisão de expulsar Machacáz e o seu grupo de estar presente para olhos nos olhos provar as graves acusações.
Fiquei a saber que tudo o que Machacáz alegava em defesa do seu grupo não contava, pois o senhor presidente tinha informações fidedignas que afinal se revelaram fictícias, bastou dois telefonemas de João Salvação "Ninan" para o empresário de quem é amigo para as certezas absolutas do presidente Potier desmoronarem. Apanhado de surpresa, ou talvez não, o presidente não virou a cara ao "toiro" e tirou da manga um trunfo importantíssimo, afinal o "fora da lei" João Machacáz havia cometido um crime imperdoável, pois não avisou o empresário para no acto do pagamento descontar os sete euros e meio destinados à Pró-Toiro, a comicidade de Potier foi de fazer inveja a Mister Bean.

Em breve 2º capítulo

José Luis Figueiredo