O Porta dos Sustos endereça as sentidas condolências ao Dr. Paulo Pereira e restante família enlutada.
Apresentamos uma missiva que o mesmo desabafou no seu perfil pessoal do facebook.
"Querido pai;
Tinhas que partir um dia, eu sei, mas nunca nos lembramos de que esse dia existe. Foi no sábado, 31 de Janeiro, um dia depois de teres feito 89 anos. Desde ontem que estás de novo ao lado da minha mãe, e junto dos teus pais…agora na chamada vida eterna, quiçá recordando os bons momentos que desfrutámos na vossa vida terrena. Imagino que estarás feliz agora que passou o teu sofrimento, primeiro da ausência da mãe, a tua companheira de 58 anos, depois o da hospitalização, consequência daquela queda que te fez confirmar as estatísticas... Imagino que continuam, agora com a tua companhia, a velar por nós que vamos ficando por cá…pelo teu filho pela tua nora e pelos teus netos, de quem tanto gostavas, tu que sempre nos transmitistes os valores da família, da família unida nos bons e nos maus momentos…como no matrimónio, na saúde e na doença, na felicidade e na provação.
Partiste e do tal assento etéreo que o poeta descreveu, viste o quanto sentimos e chorámos a tua partida, o quanto te respeitaram familiares e amigos, mesmo aqueles que já não estavam connosco há muito…e também sentiste que outros, nem sequer te conhecendo pessoalmente, mas sendo nossos amigos, nos acompanharam neste momento inevitável, mas tão difícil. É que, por menos que queiramos, a morte faz parte da vida.
Recordo aqui as palavras de um amigo que não conheceste, mas que muito nos estima e te estima também, acredita, pois sabe bem da importância que tiveste em sermos o que somos: o Padre Martins, que, na sua homilia da tua missa, tão bem comparou os momentos do nascimento (em que um chora, os outros riem e se o que nasce não chora, leva uma palmada para chorar) e da morte (em que um sorri por entrar numa nova vida, enquanto os outros choram a sua partida). E perguntava ele: e o que fica de quem parte? Ficam as memórias, fica o exemplo, fica a recordação, ficam os ensinamentos e eu acrescento: fica a saudade!
Memórias…apenas algumas das muitas que tenho presentes, quando a tua partida ainda está tão “fresca”…uma foto quando tinha dois anos, nós três tu, eu e a mãe…depois recordo quando, pela tua mão me ensinaste a patinar, recordo a caneta Parker e o relógio de pulso “ símbolo” do exame da 4ª classe e da Admissão aos Liceus…a tua promessa cumprida de que, se eu dispensasse os exames do 5º Ano, poderia ir aprender a montar a cavalo…a tua felicidade quando entrei para a Universidade, completada cinco anos depois com a licenciatura e que me deu o título honorifico de “Primeiro doutor da família”, o meu casamento com a Maria do Carmo e o nascimento dos netos, o Paulo e a Rita, nos quais tinhas o maior orgulho.
Recordo também o que sofreste com a perda dos avós, sobretudo com a perda do avô, o que sofreste com a tua doença, que venceste com a bravura de um pescador e a coragem de um toureiro, a dignidade com que enfrentaste, há pouco mais de dois anos, a partida da mãe, que acompanhaste até ao último minuto!
Pai, obrigado por tudo o que nos deste e perdoa-nos se, nem sempre, fomos as pessoas perfeitas que gostarias que tivéssemos sido, mas ninguém é perfeito…Fiz o melhor que pude, fizemos o melhor que pudemos…até sempre!"
Tinhas que partir um dia, eu sei, mas nunca nos lembramos de que esse dia existe. Foi no sábado, 31 de Janeiro, um dia depois de teres feito 89 anos. Desde ontem que estás de novo ao lado da minha mãe, e junto dos teus pais…agora na chamada vida eterna, quiçá recordando os bons momentos que desfrutámos na vossa vida terrena. Imagino que estarás feliz agora que passou o teu sofrimento, primeiro da ausência da mãe, a tua companheira de 58 anos, depois o da hospitalização, consequência daquela queda que te fez confirmar as estatísticas... Imagino que continuam, agora com a tua companhia, a velar por nós que vamos ficando por cá…pelo teu filho pela tua nora e pelos teus netos, de quem tanto gostavas, tu que sempre nos transmitistes os valores da família, da família unida nos bons e nos maus momentos…como no matrimónio, na saúde e na doença, na felicidade e na provação.
Partiste e do tal assento etéreo que o poeta descreveu, viste o quanto sentimos e chorámos a tua partida, o quanto te respeitaram familiares e amigos, mesmo aqueles que já não estavam connosco há muito…e também sentiste que outros, nem sequer te conhecendo pessoalmente, mas sendo nossos amigos, nos acompanharam neste momento inevitável, mas tão difícil. É que, por menos que queiramos, a morte faz parte da vida.
Recordo aqui as palavras de um amigo que não conheceste, mas que muito nos estima e te estima também, acredita, pois sabe bem da importância que tiveste em sermos o que somos: o Padre Martins, que, na sua homilia da tua missa, tão bem comparou os momentos do nascimento (em que um chora, os outros riem e se o que nasce não chora, leva uma palmada para chorar) e da morte (em que um sorri por entrar numa nova vida, enquanto os outros choram a sua partida). E perguntava ele: e o que fica de quem parte? Ficam as memórias, fica o exemplo, fica a recordação, ficam os ensinamentos e eu acrescento: fica a saudade!
Memórias…apenas algumas das muitas que tenho presentes, quando a tua partida ainda está tão “fresca”…uma foto quando tinha dois anos, nós três tu, eu e a mãe…depois recordo quando, pela tua mão me ensinaste a patinar, recordo a caneta Parker e o relógio de pulso “ símbolo” do exame da 4ª classe e da Admissão aos Liceus…a tua promessa cumprida de que, se eu dispensasse os exames do 5º Ano, poderia ir aprender a montar a cavalo…a tua felicidade quando entrei para a Universidade, completada cinco anos depois com a licenciatura e que me deu o título honorifico de “Primeiro doutor da família”, o meu casamento com a Maria do Carmo e o nascimento dos netos, o Paulo e a Rita, nos quais tinhas o maior orgulho.
Recordo também o que sofreste com a perda dos avós, sobretudo com a perda do avô, o que sofreste com a tua doença, que venceste com a bravura de um pescador e a coragem de um toureiro, a dignidade com que enfrentaste, há pouco mais de dois anos, a partida da mãe, que acompanhaste até ao último minuto!
Pai, obrigado por tudo o que nos deste e perdoa-nos se, nem sempre, fomos as pessoas perfeitas que gostarias que tivéssemos sido, mas ninguém é perfeito…Fiz o melhor que pude, fizemos o melhor que pudemos…até sempre!"